sábado, 2 de março de 2013

wind.


Sinto o vento a soprar de perto, às vezes parece que suspira só para mim, sopra forte mas nunca para me deitar a baixo, apenas o suficiente para me fazer flutuar, nem que só por breves segundos. Sabe bem mas, levanta a poeira, para o ar, dos cantinhos do meu coração. Está novo, mas é antigo, está machucado mas não está gasto... Mistérios da vida. Entendem? Aqueles segredos poeirentos que guardamos, que escondemos, que não relevamos porque dói apenas relembrar, dói até libertar tudo isso.
O vento é esplêndido, genial até, mas não pode com as pedras, não pode com segredos, e subir paredes é complicado, desliza-se, cai-se...
É preciso saber viver, saber sofrer também, porque nem toda a gente sabe... É estranho sim, mas aprendo com o vento, porque o vento também sabe falar, quem me lê tem de aprender a ler as entrelinhas, quem ouve o vento tem de aprender a entender o silêncio entre os assobios, as órbitas que ele desenha quando esbate e desliza nos contornos do nosso corpo. Simples assim, escutar o vento, aprender a ser livre como ele.  E os mistérios não se revelam, os mistérios despertam-nos, ativam-nos para correr atrás de algo que não se apanha tal como o vento que foge sem limites...
 

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