sábado, 24 de setembro de 2011

"Sentei-me a ver as árvores a esvoaçar de uma direcção para a outra em sintonia, ao sabor do vento. Os meus cabelos fizeram o mesmo, as folhas de papel em cima da mesa voaram, levaram segredos e cristais de tristeza antes do ponto final.
Peguei num balão e deixei-o ir, deixo-o voar sozinho pelo céu, deixei-me esquecer dele, e, o vento cortou-lhe o caminho e arrastou-o, irreverentemente. Peguei na minha vida e fiz o mesmo, deixei-a flutuar, deixei que o vento lhe fizesse o destino. Confiei na força da natureza assim como todos confiamos que a gravidade nos mantém assentes.
Permiti-me dizer palavras que guardei antes e fiz o mesmo com elas, dei-as àquele suspiro exagerado das nuvens e acreditei que seriam entregues.
E foi assim, percebi a genialidade do vento, ao sentir essa magia. Percebi que tudo o que guardo para mim e deixo esvoaçar, quando á noite me sento sob o luar, o vento leva e escreve versos no céu, desenha melodias quando me corta a respiração num segundo, e faz soar o meu pulsar no fundo da minha tela quando me suspira de perto, e aí, vejo-me entre os assobios do vento.
Fechei os olhos, ignorei os meus pensamentos e silenciei a minha mente e por segundos consegui ouvir-te falar...”

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