terça-feira, 8 de março de 2011

A humanidade é demasiado vulgar para ser conjugada no singular.

" Chovia mais do que o normal, chovia uma substância natural, chovia desespero, chovia dor, choviam lágrimas. Num gesto de loucura, aproximou-se da porta de saída e retirou-se, estranha e silenciosamente ficou quieta, num suspiro débil fez-se cair sobre o chão, ficou ali toda a noite, naquele cessar de ruído tão profundo, que se podia ouvir o bater do coração de um bebé. Já no dia seguinte, ao nascer do sol, tinha nas suas mãos um livro, parecia velho, em mau estado, mas citava tais palavras com a maior sabedoria do mundo, parecia ter esquecido tal horrível noite, mas não. Para ela não foi uma noite má, foi um rasgo de liberdade, ficou acordada sob as estrelas mais brilhantes, sentiu a mais bela brisa nocturna, no fundo do seu órgão propulsor, palpitavam palavras de sabedoria, frases poéticas, toda ela era electrizante, fascinante, toda ela era excepção á maior regra do planeta, a humanidade, porque para ela fazer algo que mais ninguém faria, afastava-a de uma comparação com as pessoas que a rodeavam, na verdade o seu feito não era nada fora do normal, as pessoas é que eram demasiado vulgares para contemplar pormenores como as estrelas, ou como o silêncio. Ser a excepção á regra é ser em regra, diferente. “

4 comentários: