terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Pela noite, debaixo do luar, não precisaram de falar, a brisa que pairava naquela noite tomou a sua responsabilidade, fez voar palavras silenciosas, o próprio olhar eloquente conectado entre eles dizia tudo o que havia para dizer, sem pausas, sem segredos, sem palavras complicadas...Havia muita gente que dizia que revelar os sentimentos era uma tarefa mesmo difícil, que não o conseguiam fazer sem nervosismo, sem o tremor de pernas ou aquela sensação estranha na barriga mas, haviam outras maneiras, outras formas onde as palavras não tinham de entrar, não tinham de estar lá presentes inteiramente, não eram precisas as palavras para traduzir ou espelhos para reflectir, tenho dito que, todas as ondas levam água...
Ainda com a lua pendurada na tela nocturna, debaixo do luar, o vento soprava, tinha tamanha força capaz de mover inúmeros objectos mas também o que há de abstracto. O vento levava, trazia, levava e tornava a trazer, mas havia algo que ficara no mesmo lugar, criaram raízes ali, era tudo calmo, brilhante, diferente, gostavam, e o que não era para gostar?
A lua tinha o seu poder, havia faísca, um clique profundo, nada mais o conseguiria fazer...
Era preciso conseguir entender o que mais ninguém entende, traduzir a língua que não existe, era preciso sentir as profundezas do que é verdadeiro...
Não eram precisas palavras, um olhar silencioso bastava, congelava o momento, e talvez, nada poderia quebrar esse fogo congelado...

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