sábado, 25 de dezembro de 2010

"Aquela miúda atirou suas palavras ao vento sem certezas e de coração aberto, não pensou.Seu coração era bastante frágil, era necessário cuidado, carinho, era necessário tocar-lhe suavemente, caso contrário era bem possível de se quebrar, de estilhaçar como quem caminha sobre um espelho.
Tais palavras guardavam um segredo, tal como aquela miúda que era pacífica, misteriosa, gostava do silêncio, de ouvir a chuva cair e de ver o dia nascer sentada num baloiço algures no meio daquele lugar.
Ela sabia, sabia melhor do que qualquer pessoa que a conhecesse bem que as palavras que pronunciara eram demasiado espontâneas, ela não as pensou, simplesmente as sentiu, disse-as sem medo, sem travões nos pensamentos, talvez fosse um erro mas por um mero acaso, ou até não, valeu a pena dizê-las, tinham sentimento, não eram sentimentos revelados por acaso, era-lhe necessário revelar ao mundo mesmo que ninguém o fosse ouvir ou entender.

À noite, quando não conseguia dormir fechava os olhos e ficava em silêncio, como já estava mas mais ainda… Gostava de ser capaz de ouvir tudo o que se passava, até ao ínfimo ruído, era interessante perceber tudo através do som.
Poppy era apaixonada pela vida, tinha uma visão sobre o mundo autêntica, tinha uma filosofia de vida como ninguém tinha, era especial.
O vento fazia com que se sentisse livre, viva, costumava correr através dos campos verdes, de se deitar sobre a erva verde que cheirava a natureza, cheirava a vida, deitava-se e olhava o céu atentamente, esperava sempre algo magnífico, é claro que naquela tela que cobria todo o mundo apenas tinha nuvens e outras pequenas coisas, mas aquilo era magnífico, era maravilhoso olhar o céu, fazia sentir-se em paz, fazia sua alma voar, o amor que enchia seu coração era ainda maior, tudo o que a rodeava, principalmente as nuvens e as estrelas a fazia lembrar aquele rapaz que via passar perto da cascata,todos os dias, á mesma hora.
Ele tinha um olhar profundo, quando olhava á sua volta, não olhava observando, olhava questionando-se, olhava de uma maneira diferente, ele não esperava que o mundo fosse perfeito nem cor-de-rosa, sabia que brumas também eram belas por vezes.
Numa tarde de Outono, ao pôr-do-sol, algo a invadiu de tal maneira que a fez mover…Correu rápido e já com a ventilação desregulada parou perto do rapaz, e falou-lhe baixinho ao ouvido e foi embora, com passos curtos e silenciosos foi desaparecendo, desvanecendo, assim como o sol que desaparecia a cada minuto…
No peito daquele rapaz, algo batia forte, a ventilação era acelerada, seus olhos brilhavam, ele percebera, aquelas palavras eram tal e qual como as estrelas, cheias de algo incapaz de se conseguir tocar de perto, cheias de algo que não se encontrava em frente a toda a hora, só e só quando o verdadeiro segredo se revelava…"

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