sábado, 23 de outubro de 2010

Envolvência

Deixem-me arder no gelo sentada num canto...
Deixem-me perdida entre gritos desafinados, desesperos e choros.
Olhamos á volta, nenhum dos olhares são minimamente eloquentes, na sua maioria todos refletem uma ausência de sentimento, uma opacidade que se atravessa disfarçando.
Cada vez mais me rodeio de monotonia que me repele, que me assusta.
Prefiro este pasmo na minha vida do que o que me envolve!
Quero apenas ficar por aí ociosamente sem sentido, abafada algures em correntes de ar, em silêncio.
Deixem-me existir sozinha num palco sem cortinas, sem limites, deixem-me vaguear, flutuar nas nuvens, cair, perder-me, deixem-me inteiramente só, comigo mesma.

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