sábado, 22 de maio de 2010

Palavras soltas

Gosto de estar em silêncio ouvindo as gotas da chuva cair
Gosto ainda mais de ver as estrelas encher a noite imensa
E de correr atrás do infinito como que nada corre atrás de mim e que eu tenho medo de nada…
Não gosto do som dos ponteiros do meu relógio
Que mesmo sem pilhas deixa o tempo passar, e não me deixa parar
Gosto de quando olho inconsciente para o mundo
Sem saber exactamente para que olho
E de pensar tão consciente do que faço e esquecer de que estou ainda viva
Nem sei explicar a alegria de sentir muito menos a angústia de não ter
Ainda sei o que é andar ao sabor do vento debaixo da existência da lua
Procurei ver um crepúsculo que nunca vi afinal, cega de luz e escuridão…
E enquanto as noites deviam ficar lá fora eu trazia-as comigo
Como um simples objecto transportável!
Se é tão impossível agarrar uma estrela como será possível pegar na noite?
È uma profundidade na dúvida, se ao menos pudesse eu erguer a resposta…
Nós que nunca saberemos o mistério que a morte tem, que nunca saberemos até onde vai o fundo do mar, até onde vai o céu, era suposto saber coisas tão simples como a razão porque transportamos nós a noite?
E a lua tão estática cheia de poder possuí os corpos de coisas inexplicáveis, cheias de respostas às quais não temos a pergunta…
E nem o sol que dá metade da vida da terra explicaria a vida para além da natureza, para além dos corpos vivos…
Enchendo-se de raiva subitamente, os humanos tendem a correr atrás da morte como se fosse essa a grande meta, mas não, pois para além da meta há mais um caminho…
E pouco me importa a maneira como as coisas se dão, simplesmente se dão, já pouco importa como o mundo se fez, é tão enorme que nos deixa com pouca vontade de saber a verdade do seu inicio…
E já repeti tantos silêncios que nem encontro maneira de o fazer falar
Já ouvi tantas melodias que de tão iguais que são fiz da tua voz uma música
Música essa que nem canta nem fala, nem se cala nem é quieta simplesmente chama-se de canção…
Se ao menos beijassem como quem sente, talvez o chão ascendesse ao céu como um sonho
Talvez as estrelas de perto fossem mais concretas do que o que pensamos ser abstracto…
Mas tão embriagados andamos de luz que esquecemos da beleza da escuridão, que enche a noite como quem enche um mar…
Será tarde para fazer das estações meros dias, cada dia uma, flores, sol, folhas e neve…
Seria tão agradável se ao menos pudéssemos mudar de planeta
Seria ainda mais perfeito poder travar a morte
Fazer uma guerra de paz, e chorar apenas sorrisos em vez de pérolas liquidificadas …

4 comentários:

  1. simplesmente amei este texto tens jeitoo!!!

    :D

    fica bem minha lindonaa

    ResponderEliminar
  2. de certo modo era isso que eu queria dizer , mas não consegui encontrar as palavras certas .
    obrigado isabel (:

    ResponderEliminar
  3. ainda bem então isabel (:
    obrigado por estares atenta ao meu blog e por comentares (;

    ResponderEliminar
  4. ainda bem que haja alguém que goste , fico muito contente por isso :D

    ResponderEliminar